por Maitê Mendonça - revistaparadoxo.com
Chega um momento crítico para a série Diretores. Falar de um gênio, que assim foi considerado antes de sua morte, contrariando as velhas histórias de reconhecimento pós-morte e batizado pelos críticos como mestre do suspense. Este é Alfred Hitchcock.
Nascido em Londres no ano de 1899, Hitchcock foi testemunha ocular das duas Grandes Guerras. E como bom britânico, foi agraciado com o título de Sir.
Em 54 anos de atividade, Hitchcock fez 53 longas-metragens. Começou a fazer cinema quando o cinema ainda não era falado e o céu ainda era preto-e-branco.
Assim como outro mito do da sétima arte, Charles Chaplin, Hitchcock migrou com sucesso para o cinema sonoro e colorido.
Antes de chegar em Hollywood, Hitchcock era "pau pra toda obra". Desempenhava diversas funções: Escrevia letreiros, foi diretor de arte e figurante, sendo esta última uma curiosa função desempenhada por ele ainda que em seus próprios filmes. Hitchcock adorava dar uma pequena aparecidinha em seus longas.
Começo
Assim como Fernando Meirelles, Hitchcock foi engenheiro e chegou a trabalhar na Companhia Telegráfica Henley, encarregado de fazer avaliações técnicas. Mas ele nunca deixou de se interessar por cinema.
Gostava de ver filmes de Chaplin, David Griffith e os Famous players, da Paramount. O primeiro longa de destaque de Alfred Hitchcock foi O Inquilino Sinistro. Seu próximo filme de destaque viria em 1934, sob o título O Homem que Sabia Demais. Mas nenhum chegaria ao sucesso de Psicose.
Mamãe ainda está entre nós
O filme Psicose já é um verdadeiro clássico do cinema mundial. Nele há a famosa cena onde Janet Leigh é assassinada no banheiro pelo terrível Norman Bates. Para quem não sabe, só essa cena deu um trabalhão
Foram sete dias filmando. Janet usava uma roupa cor da pele colante e uma dublê de corpo foi usada. O som da faca no corpo da atriz na verdade era o barulho de um melão sendo esfaqueado.
Hitchcock decidiu que o filme seria preto-e-branco por achar que caso fosse colorido, seria ensangüentado demais para o público. Porém o remake de Gus Van Sant, lançado em 1998 é colorido e acabou por faturar US$ 13 milhões, pelo custo de US$ 800 mil
Ah, vale lembrar que nesse filme, o personagem de Anthony Perkins, Norman Bates convivia com sua mãe morta. Para deixar a atriz Janet Leigh no clima, ele escondeu o horrendo boneco da mãe de Bates em um armário, para pregar o maior susto na atriz.
O fim
Muitos gênios decaíram. Amadeus Mozart, o grande pianista, morreu na pobreza. E Alfred Hitchcock não foi diferente. Nos últimos 20 anos de carreira, o diretor inglês teve um declínio impressionante na parte artística e pessoal. Cauteloso, transformou-se em um obsessivo realizador, depois do sucesso de Psicose.
Como recebeu as recusas de atrizes como Grace Kelly, ele mesmo fabricou sua personagem principal. Chamou uma modelo de comerciais e quis transformá-la em atriz principal de Os Pássaros, mas ele não teve sucesso. Tippi Hendren se mostrou uma péssima atriz.
E assim foi nos filmes seguintes. A sua veia para o suspense parecia estar entupida. Os atores não tinham química em cena. Os roteiristas reclamavam.
Logo, o diretor começou a adoecer. Seu último filme foi Trama Macabra. Ele tentou finalizar The Short Night, mas sua doença cardíaca estava muito avançada. Em 1980, chega ao fim o mito Alfred Hitchcock, o maior mestre que o suspense do cinema já conheceu.